Coelho da Páscoa
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O Coelho da Páscoa é um símbolo que tem origem em mitos e
ritos germânicos e em sua articulação com a tradição cristã na Idade Média.
Hoje em dia, sobretudo nos países ocidentais, o
símbolo do coelho é, seguramente, um dos mais associados à data
da Páscoa,
apesar de não estar atrelado ao significado cristão propriamente
atribuído a essa data, isto é, a Ressurreição de Cristo. Para compreender
os motivos dessa associação e, mais, para compreendermos o porquê de o coelho
ter a “função” de “trazer os ovos” – hoje em dia, de chocolates – da Páscoa,
precisamos revistar a história.
O coelho é um animal que simboliza fertilidade graças à sua
intensa prática reprodutiva. Desde civilizações bem antigas, como a egípcia, a
ligação entre coelhos e fertilidade, primavera, nascimento, etc., é
estabelecida. Na Europa, os povos germânicos, que habitavam a região norte – atualmente,
a Alemanha –, possuíam uma narrativa mística sobre uma deusa da fertilidade
cujo nome era Ostara. O coelho era símbolo do culto a essa deusa,
posto que, passado o inverno e tendo início o período da Primavera (estação que
simboliza o “renascimento”, a floração, a fertilização), os coelhos eram, com
frequência, os primeiros a saírem de suas tocas e começarem a reproduzir-se.
Aos coelhos, símbolos de Ostara, as tradições rituais
germânicas associaram a prática de entrega de ovos de aves pintados com tintas
para as crianças. Essa prática valia-se do subterfúgio da “caça do coelho”. No
momento em que iam caçar os coelhos, as crianças encontravam, escondidos nos
campos, os ovos adornados. A cidade de Ostereistedt, na Alemanha, leva
esse nome em razão da referência a essa prática.
No período da Idade Média, o culto à Ostara e à estação da
Primavera logo passou a ser associado à Ressurreição de Cristo, em face da
cristianização dos povos bárbaros. No entanto, a assimilação do mito germânico
pelo cristianismo não implicou a abolição total dos ritos a ele associados. A
prática da entrega de ovos passou a ser relacionada, portanto, à Páscoa, e não
mais à deusa Ostara.
Com a leva de migrações alemãs para o continente americano,
essa prática generalizou-se. Os mais antigos registros sobre a lenda alemã do
coelho que traz os ovos para as crianças datam de 1678.
Por Me. Cláudio Fernandes

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